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Desencontros e insintonias...
Escrito por carol às 14h55
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Uma pequena frase dita pode resumir quem a pessoa é, pode resumir a sua vida. Meu sorriso hoje não existe, não coopera, nem retribui. Simplesmente ignora qualquer ato de simpatia. Hoje é daqueles dias, eu não estou, mesmo existindo
Escrito por carol às 14h49
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Hoje eu senti seu perfume aqui pertinho, perdido no ar. Meu coração fisgou,pegou no tranco e palpitou ainda mais. Consigo ritimar a entrada e saida de sangue bombeando lembranças por todo meu corpo. Segui caminhando mais leve, parecia que você estava ao meu lado, contando como foi seu dia e me perguntando como havia sido o meu. Paramos, nós dois, para perstar atenção nas flores da primavera. Resolvemos sentar num café e jogar conversa fora antes de chegar em casa. Não fomos para casa, fomos ao cinema, nós nos animamos com muita facilidade. Novamente caminhando, desta vez paramos em frente a uma loja de discos e ficamos lá, vendo a vitrine com as antigas novidades, voltamos para casa exaustos, mas incapazes de dizer boa noite.E eu me deito lembrando de tudo o que já passamos, o quanto já nos divertimos, em como só temos boas Memórias. Voltou o petfume e eu disperto.
Já não te digo boa noite, tampouco bom dia, não tomamos café nem assistimos filmes. Mas você, toda vez dá um jeito de me não me deixar esquece-lo.
Escrito por carol às 13h50
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viver o incerto traz certezas
Estava num lugar estranho, num lugar onde seus princípios não cabiam, mas precisava sorrir, encantar gente cega.Logo de cara, pessoas engravatadas, ambiente sinistro.E precisava manter a calma. O tempo passava e ainda se culpava pelos acontecimentos, pelas desculpas esfarrapadas que lhe davam. acreditava que nascera para aquilo, para ter que se submeter ao inferno. Mas ao mesmo tempo era boa, boa e boa. O oxigênio começava a rarear no café, precisava sair correndo, precisava ainda mais do emprego. ficaria até o fim, pegaria quatro conduções todo dia, sim, conhecia a cidade cmo a palma de suas mãos, merecia ser feliz, merecia o céu. O pânico estava fazendo com que seus pensamentos vazassem, flutuassem para outro mundo, como merecia ser feliz. Estava se sentindo humilhada, com a inteligência dilacerada, estraçalhada por egos mesquinhos. Se o "se" não existe, existe apenas o futuro, que venha então... viver o incerto traz certezas
Escrito por carol às 16h19
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A moça Eu sempre gostei de musica clássica, desde pequeno. Minha mãe sempre colocava para eu ouvir e imediatamente eu ficava mais tranquilo e parava de chorar, não que eu seja um chorão, longe disso. Aos quatro anos entrei na escola de música, fiz por algum tempo, mas não toco nenhum instrumento muito bem. Resolvi então somente assistir. Prefiro assistir a um recital do que ir ao cinema.De origem italiana, tenho olhos azuis, sou bem alto e tenho o corpo atlético.Tenho um time de futebol americano, nós jogamos as terças e quintas. Não entendo muito de moda, mas acho que me visto de forma correta. Acontece que hoje, fui assistir a um concerto na Pinacoteca do Estado de são Paulo. As pessoas no Brasil não estão muito acostumadas à música clássica, no entanto, mesmo sabendo que eu me irritaria, peguei meus pais, pois amigos que apreciem música clássica, domingo de tarde num museu, são raro de encontrar. Pois bem, peguei as senhas duas horas antes do espetáculo, olhei algumas obras,mas eu já estava ansioso. Sentei na primeira fileira do anfiteatro, meus pais na terceira. Fiquei lembrando de famílias que discutem futebol no carro, a nossa discute música clássica. Não gosto também que ninguém se sente ao meu lado. Fico incomodado quando alguém que eu não conheço fica próximo e também preciso de espaço para minhas pernas. Uma vez, em Berlin, uma senhora quase me fez perder a paciência. Porque alguém vai assistir um concerto se é para ficar conversando? No entanto, algo hoje aconteceu que me fez mudar completamente. Coloquei um programa do concerto na cadeira do lado, mas uma garota, devia ter seus 22, 23 anos, pediu licença e sentou-se. Me deu um sorriso e se acomodou na cadeira. Ela era alta, magra e vestia uma blusa de renda. Tinha a pele bem clara. O rosto eu não vi bem por que ela se escondeu entre os cabelos. Os dedos das mãos eram compridos, e ela os usava como apoio da cabeça, não fez um pio.Os músicos entraram em cena, mas eu só conseguia prestar atenção nela. Os sapatos dela eram estranhos,de plataforma, mas o conjunto era bonito.Uma calça de tecido fino, as cores eram sutis. Ela foi simpática comigo."Será que gostou de mim?", pensei. Me ajeitei na cadeira, mas não tinha posição, estava nervoso. Reparei que a bolsa que ela usava era trespassada e marcava seu colo.A renda da blusa permitia que eu tivesse a visão mais agradável possível.Nem reparei no solo de violino, só conseguia imaginar como seria a personalidade, vida e rotina da moça. Porque ela estaria ali, num domingo à tarde sozinha? Será que era fanática por música clássica como eu? Seria irmã do pianista? Ele também era magro e alto. Ela era repleta de sardas. A única "jóia" que usava era uma correntinha no pulso esquerdodo Senhor do Bonfim. Após a primeira opereta, as pessoas começaram a bater palma...Só no Brasil mesmo...Não se bate palma entre uma opereta e outra, somente no intervalo.Fico tão nervoso e não me aguento, tenho que fazer sinal de silêncio para a platéia. É muita falta de respeito. Bom, voltemos à moça, que criatura linda. Percebi seu sorriso quando ela se levantou encantada e aplaudiu os artistas. Será que o piansta seria seu namorado? Não, ela ficou o tempo todo com o celular na mão, parecia que esperava uma ligação. Algumas horas ela ficava tão imóvel que dava a impressão que dormia profundamente, como um anjo. Tentei puxar assusto com ela durante as palmas para o Bis, mas ela apenas sorriu. quando acabou o recitale ela se foi, foi tão rápido, tão discreta, que eu nem consegui acompanha-la com o olhar. Ela sumiu como apareceu.
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Um concerto Tudo bem, tenho trinta anos, uma filha de quatro, sou independente e agora meu ex-marido está pedindo pensão alimentícia pois está desempregado. Ou seja, eu ralo que nem doida e ele fica com a grana? Ele me traiu, eu saí de casa, fiz tudo na minha vida acontecer e ele quer me sacanear? Deixei minha filha com minha mãe e fui encontrar uma amiga para ver Rodin. Sim, eu sou artista plástica e sempre que vejo as esculturas do Rodin, penso que a vida vai dar um rumo, vai ser tudo como ele, cheio de curvas num metal. Quando cheguei à Pinacoteca, na hora de comprar o ingresso, a moça do guiche me deu uma senha e um programa de um concerto que aconteceria dali uma hora. Pensei se tinha cara de quem gostava de conceto, pois nunca havia assistido nenhum, acho muito chato. Nunca gostei de música clássica, embora uma professora de pintura aconselhou uma vez que seria bom para desenvolver oscilações nas formas das obras...Entendeu? Tem lá sua lógica. Eu estava tão irritada, tão nervosa, a audiência seria no meio da semana e mesmo sabendo que não haveria hipotese alguma daquele ingrato receber pensão, eu estava enlouquecida, indignada com toda aquela injustiça e a injustiça do mundo. Como fui assaltada quinhentas vezes num só ano, aprendi a andar com somente o necessário e usar bolsas trespassadas no corpo. Naquele dia do museu, estava muito arrumada, com uma calça social, uma blusa decotada, geralmente não uso roupas assim, mas como estava mal, resolvi me arrumar para chamar um pouco de atenção e levantar o ego...Realmente funciona. Bom, entrei eu naquele anfiteatro e só existia um lugar para sentar; do lado de um cara muito estranho...E na primeira fileira...Lá fui eu apreciar a arte em todo o seu contexto.Logo eu que não sei nem ler partitura, nunca aprendi nenhum instrumento, nas aulas de flauta na escola eu era um horror. Aliás, o menino que ajudava o pianista a posicionar as partituras era um sujeito muito estranho. O pessoal da galeria onde trabalho é muito mais normal que aquelas pessoas, disso eu tive a certeza.Mas foi bom para espairecer. Logo que sentei, percebi que meu vizinho, um gordo e brega, fazia barulhos com o nariz. "Putz, serei presenteada com uma hora de recital de rinite", pensei. E ainda fazia barulho com a garganta e se mexia sem parar, o que fazia com que todas as cadeiras da fileira fossem projetadas para frente e para trás...boa, tudo o que precisava, nem sair eu poderia, teria que ficar durante uma hora sentada. Me ajeitei na cadeira, usei meus braços como apoio e tentei me esconder, para poder relaxar. Soltei os cabelos e fechei os olhos. Será que eu poderia fechar os olhos? E se o violonista me visse e achasse que eu estava dormindo? De certo ele ficaria muito puto. Enfiei então os cabelos entre a face e relaxei...Percebi que minha bolsa marcava meus seios, e eles estavam bonitos com uma blusa de renda que coloquei.Me diverti, esqueci do mundio por um minuto. Cobri o decote porque achei que o grandão estava olhando para mim, Deus me livre de outro traste na minha vida, acho que por isso ando me "enfeiando" tanto... Estava apreciando a música, tentando prestar atenção mesmo.Tentei entender as mudanças, a leveza e as oscilações da música clássica. Quando, mais que de repente, o cara ao meu lado dá um berro para a plateia que estava aplaudindo os músicos...Xingou mesmo, ainda olhou para mim e disse: "Que falta de educação, que vergonha". E eu apenas concordei com o pequeno mamute ao meu lado. Fiquei com tanto medo que nem fechei mais os olhos, ele poderia achar que eu estava dormindo e me tentar me estrangular.Óbvio que meu barato de curtir o som e relaxar foi-se pelo espaço, mas consegui apreciar as mãos do pianista, que dominava a técnica como eu nunca havia visto, passeavam de um lado para outro, faziam travessuras com as teclas,foi realmente emocionante. Quando o concerto acabou, fiquei com cara de quem quer mais, me senti muito leve por assistir a apresentação dos músicos, de aguentar uma hora um tipo de música que era completamente nova para meus ouvidos, logo eu que era cheia de preconceitos para com música clássica e por fim, aturar um doido ao meu lado, que gritava Bravo!, com uma força que parecia doido. Era apenas uma apresentação, não era no Municipal ou na Sala São Paulo. Como é que pode alguém ser assim, fissurado por música clásica? Eu nunca tinha visto algo parecido, a pessoa batia palmas e gritava, tão longe da minha realidade: cheia de restrições, de não perturbe, de me deixe aqui no meu canto. Gostaria de ser como ele, de botar para fora todos os meus sentimentos, de extravasar, de bater, xingar e chorar. Porque eu não consigo, eu tenho que ser forte, que ser duas e três. Peguei minhas coisas e fui embora, nem tomei café, nem nada.Precisava mais uma vez enfiar a cara debaixo do edredon e esperar passar minhas dores. O tempo faz tudo passar, é verdade,mas a vida não espera que você pare tudo para se ajeitar.E toda vez que tudo se ajeita,o mundo vira de ponta cabeça, te chacoalha e te chama para a briga.Mesmo que eu sinta tudo, deseje , mas muito, que exista mais que um concerto de violino e piano entre nossas vidas, não depende de mim. -Você está bonita, mamãe. -Obrigada , filha. Faz com que a dor diminua, que qualquer problema seja nada, perto da vida que depende de mim, ela é meu remédio. |
Escrito por carol às 04h14
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